quinta-feira, 29 de março de 2018

eu costumava

eu costumava escrever muito sobre como era sentir amor.
ultimamente, nem tanto. uma das explicações talvez resida na constatação de que hoje eu sou amor.
as plantinhas seguem juntas na folha de papel. quatro folhas. duas juntas. da cabeça aos pés.
eu sou.

30/12/2017

Casas




em meio ao caos do deslocamento de ônibus, saindo da pratinha pro centro, ouvia o disco novo do Rubel, que acordei mais cedo pra baixar do youtube e levar no cartão de memória, eu ainda sou desse tempo, pré-spotify.

na parada e no ônibus, tava tudo bem, eu estava ouvindo as faixas normalmente. o caos e o motorista que achava que além dele não tinha ninguém e dirigia de forma maluca talvez tenham me provocado. o caos, a rua, o sol, a música.

a "intro" que traz acordes do primeiro disco; "mantra", que tenta me fazer ser menos cética; "fogueira", a música que precede "partilhar" naquele vídeo promocional da Natura, lembra? votei demais pra ele ganhar, ganhou. aqueles violinos tão bonitos como uma música ideal pra fazer uma entrada de casamento, lindo, lindo. eu precisava conter lágrimas. então começou "explodir", foi difícil, sim. acho que talvez tenha parecido esquisito pra quem reparou (será que alguém fez isso?) uma pessoa que lagrimava no ônibus rumo à Presidente Vargas. não saberiam que eram lágrimas de amor. "colégio", quando começou, parecia ouvida pela primeira vez de novo. que melodia, que introdução, que letra linda. pareceu ser sobre infância, adolescência, vida, amor. sempre sobre amor. Rubel, quando te conheci eu tinha 18 ou 19 anos, embalaste desilusões, tristezas, baques. eu torcia para que aquelas baladas de amor embalassem algo além disso, embalaram. voltaram a embalar saudade. depois desprendimento. então trouxeste "partilhar" e, de novo, eu torcia pra que embalasse algo novo e verdadeiro, embalou. embala.

02/03/2018

quarta-feira, 28 de março de 2018

o início da curadoria

é chegada a hora que adio há anos:
fazer uma curadoria de mim mesma
sempre gostei de me espalhar por aqui
em 2005, lembro de ter criado meu primeiro blog
era todo preto com cores como vermelho e roxo
uma vibe simple plan e good charlotte
eu estava fazendo aquele curso de informática em são bras
não sei se foi lá que aprendi a digitar mais rápido
mas provavelmente foi em casa
é um dos meus orgulhos
ser rápida no teclado
apesar de não usar direito os dedos corretos
imagino


esqueci agora o nome que dei ao primeiro blog, mas lembro que ele era um diário
de diários gosto há muitos anos
lembro de quando era uma festa ganhar 5 reais do papai para comprar coisas nas pequenas papelarias do bairro
dava para comprar cadernos e canetas
era uma infância feliz, eu acho

de lá para cá foram inúmeros cadernos, alguns blogs e textos a perder de vista
90% são muito mal escritos, 9% é mais ou menos e 1% pode ser bom
então a ideia é essa: uma curadoria de mim por mim mesma
talvez fosse interessante que outra pessoa fizesse isso
mas ainda não alcançamos a fama e provavelmente nunca alcançaremos
mas, se por algum acaso, essa fama-fantasma chegue
preparem-se para os escritos-não-publicados de pamela raiol
esses com certeza serão parte dos 90% ruins
é isso

hora de procurar o 1%
não sei se tem alguém por aí, mas obrigada pela companhia

p.s.: gratidão, saulo, que me mandou uma mensagem sobre um escrito que fiz e me fez criar a necessária coragem para criar um espaço novo.

p.s.2: hoje meu notebook voltou pra casa, tava no conserto, eu não tenho sorte com HD, mas tenho sorte com a mamãe, que pagou esse conserto dessa vez. gratidão, mãe. <3